2016 é um ano lendário para o vinho do Porto

Vinho Fonceca Porto

James Suckling, crítico de vinhos norte-americano e provador da revista Wine Spectator que conta agora com um projeto em nome próprio, publicou recentemente uma crítica em que dá destaque a dois vinhos do Porto da colheita de 2016, afirmando que este poderá ser “um ano lendário para o vinho do Porto.”

Em causa estão os vinhos Taylor’s Vintage 2016 e Fonseca Vintage 2016, aos quais atribuiu pontuações de 100 e 98 pontos, respetivamente. Sobre o Taylor’s Vintage 2016 diz que “é o melhor Taylor’s jovem que já provei”. Já sobre o Fonseca Vintage 2016 classifica-o como um vinho “impressionante” que nos “agarra”. O crítico destaca ainda o Croft Vintage 2016, que mereceu 97 pontos.

Luís Sequeira, diretor geral da Heritage Wines, distribuidora responsável por estes vinhos, explica que foi agora aberto um período pré-venda para estes vinhos com o objetivo de “responder à elevada procura do mercado pelos Vintage 2016 e garantir que conseguimos responder a todos os nossos clientes. Estamos já a sentir uma grande pressão pelo que recomendamos que os pedidos sejam colocados cedo para evitar deceções”.

Fonte:Distribuição Hoje

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Turismo faz crescer consumo de vinhos

 

 

Vinhos do Porto Vintage

Portugal foi, pela primeira vez, o primeiro mercado em valor de vinho do Porto. E há vinhos certificados a crescer também.

Desde 1963 que França era o principal ponto de venda do vinho do Porto. Em 2017 aconteceu a grande mudança com Portugal a tornar-se o primeiro mercado deste vinho do Douro em valor -73 milhões de euros -, já que em quantidade permanece a França como o principal consumidor, com mais de 26 milhões de garrafas. O turismo é inegavelmente um dos fatores, mesmo o principal, que explicam esta mudança, mas, aponta Manuel Cabral, presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), não é o único. Os efeitos dos visitantes estrangeiros em Portugal também são muito positivos para os vinhos nacionais certificados. Regiões como a península de Setúbal, o Dão ou os Vinhos Verdes aliam crescimentos excelentes nas exportações do ano passado a uma cada vez maior implantação no consumo nacional.

Portugal tem altos hábitos de consumo de vinho. Segundo a Organização Mundial da Vinha e do Vinho, é o país com maior consumo per capita, com 4,5 milhões de hectolitros em 2017. Não é novidade este hábito português de liderar as estatísticas de consumo de vinho e com o turismo em massa no nosso país o padrão mantém-se.

“O mercado nacional tem vindo a ganhar força nos últimos seis anos. Empiricamente sabemos que o turismo é muito importante para estes resultados”, disse ao DN Manuel Cabral, que preside ao IVDP, embora realçando que “não há nenhuma análise” sobre o volume de vinho consumido por turistas “mas salta à vista e falamos de milhões de pessoas que têm visitado Portugal nos últimos anos. Basta pensar que só as caves do vinho do Porto recebem mais de 1,3 milhões por ano”. Mas vende-se vinho do Porto em todo o país.

A presença de visitantes não é o único fator. O comércio passou a dedicar mais atenção ao país. “A oferta era feita a pensar nos mercados internacionais, as empresas não valorizavam o produto em Portugal”, lembra Manuel Cabral. “Há agora um redobrado interesse dos portugueses no vinho do Porto, há um consumo mais interessado e conhecedor.” Para ser o mercado com maior valor, é preciso ver que no vinho do Porto “o preço médio é elevado em Portugal”, situa-se nos 5,8 euros contra os cinco euros a nível global e 3,70 em França,.

Para se adaptar ainda mais ao mercado atual, o Conselho Interprofissional do Douro aprovou já a redução do teor de álcool nos Porto genérico (tawny, ruby, brancos e rosé) para um mínimo de 18 graus (era 19) e baixou o stock mínimo exigido aos comerciantes para 75 mil litros em vez dos 150 mil litros. “Isto permite novos players, novos produtos”, aponta Manuel Cabral. O volume comercializado tem baixado na última década.
Nos vinhos do Douro com denominação de origem protegida (DOP) o crescimento “é brutal, ao nível dos dois dígitos por ano”, aponta o presidente do IVDP. Há também aqui um conjunto de fatores, desde a qualidade da oferta “até à notoriedade que os vinhos têm tido a nível internacional não só nas revistas da especialidade mas também em meios mais generalistas. Isso repercute-se cá”.

Otimismo para o futuro
Nos vinhos DOP, e também nos IGP (indicação geográfica protegida), há crescimento nacional. Os números de 2017 e do primeiro trimestre de 2018 do Instituto do Vinho e da Vinha indicam que regiões como a península de Setúbal, Lisboa, o Dão e os Vinhos Verdes estão a crescer a nível nacional, acompanhando as exportações.

Henrique Soares, presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal”, disse ao DN que “os últimos dois anos foram de grande crescimento”. O “turismo tem aumentado muito e isso é um fator decisivo”, reconhece. “No nosso caso, a tendência é geral: dispararam as exportações e temos crescimento excelente a nível nacional.” O moscatel é a referência, mas em volume são os tintos e os brancos que dominam.

“Muitos portugueses não têm noção de que os vinhos de Setúbal são dos mais vendidos a nível nacional”, diz Henrique Soares, convencido de que a produção tem capacidade para mais oferta.

No Dão, Arlindo Cunha, presidente da CVR do Dão, tem um discurso semelhante. “Esta é uma região histórica, com 110 anos, e que viveu um processo de recuperação excelente. Nos últimos cinco anos, os vinhos certificados tiveram uma performance notável, com aumento de 50% nas vendas. Há mais e melhor oferta. O Dão era conhecido pelos tintos e agora também está a ser descoberto pelos brancos”, diz o ex-ministro da Agricultura. O turismo é muito importante. “São milhões de pessoas. No enoturismo, na restauração, há negócio e fazem depois a promoção lá fora”, afirma, convencido de que a boa relação qualidade-preço impulsiona ainda mais a procura.

Mais certificados
> O mercado nacional, incluindo distribuição e restauração apresenta em 2018, até março, um ligeiro decréscimo (-0,4%) na compra de vinho. Alentejo e vinhos certificados são os que mais perdem. Vinhos certificados aumentaram as vendas em volume, em 6,9%, tendo crescido em valor (+6,5%), segundo dados da consultora Nielsen, tratados pelo Instituto do Vinho e da Vinha.

Mais volume e valor

Em 2017 o mercado nacional comprou maior quantidade de
vinho (+3,2%). O valor gerado pelas vendas aumentou 5,2% tendo o preço médio registado uma subida (+1,9%). Vinhos certificados aumentaram as vendas em volume, em 1,6%, e em valor (+5,7%).

Variações em 2018

No primeiro trimestre deste ano, os vinhos não certificados mantêm-se como os mais vendidos, mas com menos 1,8 milhões de litros face a 2017. Os vinhos do Alentejo perderam 4,4% mas são os segundos do mercado, enquanto Douro, Setúbal, Dão e Minho (Verdes) são dos que mais crescem.

Fonte:DN

Guia para provar vinhos

 

Wine tasting

Há duas prespectivas diferentes em que se pode provar um vinho:

A do consumidor, que pretende tirar o maior prazer do vinho que está a provar naquele momento e a do enólogo, que tenta avaliar um determinado vinho e o prazer que irá provocar a quern o consumir mais tarde.

Material necessário
Não é muito complicado conseguir boas condições para uma prova. Basta reunir, um espaço isento de cheiros, com boa luz (não fluorescente), um bom copo (transparente, incolor e sem desenhos) e um bloco de notas (ou ficha de prova).

Fases da prova:

1. Exame Visual
Observe o vinho, utilizando uma luz razoavelmente boa, contra uma superfície branca. Deverá observar então a cor, a limpidez e efervescência.
2. Agitar
Agite o copo com um cuidadoso movimento circular, de modo a permitir a libertação dos aromas. Quando parar a agitação veja se existem lágrimas a escorrer pelas paredes do copo (podem dar uma indicação sobre o teor de álcool e açúcar do vinho).
3. Aroma
Agite novamente o copo, aproxime o nariz e inspire profundamente. Tente encontrar no conjunto de aromas alguns que Ihe sejam familiares.
4. Provar

Coloque na boca uma quantidade razoável de vinho (sem ser demasiada).
Role o vinho suavemente na boca, de forma a atingir as papilas gustativas de forma uniforme.
Defina o sabor do vinho. Inspire pela boca, fazendo o ar atravessar o vinho e expire pelo nariz.
Os aromas detectados desta forma constituem o aroma de boca.
Ao conjunto das sensações detectadas na boca e por via retronasal, no nariz, chama-se paladar.

Saborear o vinho
Na boca apenas são detectados os quatro sabores elementares: o doce, o ácido, o salgado e o amargo.
As substâncias responsáveis por estas sensações são detectadas por papilas gustativas localizadas em zonas específicas da língua.
Para além dos sabores elementares, a boca regista outras sensações importantes :
Corpo ou volume – maior ou menor viscosidade do vinho (sensação transmitida pelo conjunto dos taninos, álcool, glicerol e açúcares).
Equilíbrio – o conjunto dos quatro sabores elementares deve ser globalmente agradável para que um vinho seja equilibrado.
Nos vinhos brancos, esta harmonia é resultado do equilíbrio do doce com o ácido.
Nos tintos entram igualmente o amargo e a adstringência, conferidas essencialmente pelos taninos e polifenois.
Persistência – tempo que as sensações agradáveis levam a desaparecer. Quanto mais longo, melhor será o vinho.
Agite novamente o copo, aproxime o nariz e inspire profundamente. Tente encontrar no conjunto de aromas alguns que lhe sejam familiares.

Cor

Vinhos tintos
Os vinhos tintos, que quando jovens apresentam cores mais vermelhas, com nuances azuladas, com o envelhecimento começam a acastanhar, chegando a cores próximas do castanho-dourado.
Vinhos brancos
A cor dos vinhos brancos não fornece muitas indicações. Em geral, cores mais carregadas significam que o vinho é proveniente de climas mais quentes, de uvas mais maduras, ou vinificado em cascos de carvalho.
Vinhos rosados
Os vinhos rosados apresentam uma gama de cores que vão do alaranjado (casca de cebola), até ao vermelho claro (rosa). Estre dois limites diversos tons podem ser encontrados.

Limpidez
O vinho deverá apresentar-se sempre límpido e brilhante, e nunca enevoado ou nebuloso.
Num vinho tinto poderá, por vezes, aparecer um depósito escuro, de origem natural, o qual não deverá ser levantado. Ele é o resultado da precipitação de matérias corantes e outros polifenois, ao longo dos anos.
Numa garrafa com estes depósitos deverá ser tido o maior dos cuidados para não ser agitado esse depósito, evitando que este fique em suspensão no vinho. Estes depósitos são sinal de vinho de grande estrutura, ou de que foi um vinho com essa estrutura, e que não sofreu grandes tratamentos de estabilização ou de filtração, o que poderá indicar algo de positivo.
Nos vinhos brancos, em princípio, não deverão surgir depósitos, podendo todavia aparecer um pequeno depósito cristalino, de cristais do acido tartárico, indicando que o vinho não foi sujeito a grandes estabilizações térmicas, e que portanto terá maior estrutura e volume de boca, carácter muito positivo.

Efeverscência
Há determinados vinhos que apresentam alguma efervescência, devido à presença de gás carbónico. Encontram-se neste caso a maioria dos vinhos Verdes, e os vinhos Espumantes.
Nos vinhos Verdes o gás carbónico era tradicionalmente resultado da fermentação maloláctica, com produção natural de gás carbónico dentro da garrafa.
Nos Vinhos Espumantes Naturais, o gás carbónico é produzido, segundo o método clássico, durante a segunda fermentação, que ocorre já dentro da garrafa. A presença de gás carbónico, maior ou menor neste tipo de vinhos, faz com que o vinho apresente maior frescura na boca.
Tirando o caso dos vinhos em que a presença de gás é provocada e intencional, a existência de bolhas em vinhos é um muito mau sinal indicativo de uma indesejável refermentação, que trouxe, concerteza consigo, também maus aromas e sabores.

Aromas
Os aromas dos vinhos são normalmente classificados por analogia com outros odores naturais. Assim, fala-se de aroma frutado ou floral quando faz lembrar o aroma de frutas ou flores; animal quando lembra a carne ou o couro. O primeiro passo na identificação do aroma é a identificação do grupo a que pertence.