Mundus Vini 2017. Há 302 vinhos portugueses entre os melhores

Perto de 200 especialistas de 44 países fizeram o gosto ao copo e elegeram os melhores vinhos desta primavera. E, claro, há portugueses entre os destacados do Mundus Vini 2017.

Vinhos-portugueses

Já são conhecidos os vencedores da Spring Tasting do Grand International Wine Awards – Mundi Vini, um dos eventos mais conceituados do mundo vinícola.

Para esta prova de primavera, foram perto de 200 os especialistas que, durante quatro dias, avaliaram cerca de 6,200 vinhos de vários pontos do mundo, atribuindo-lhes a medalha de Grande Ouro, Ouro e Prata. Como já tem sido habitual, há criações bem portuguesas entre as eleitas.

Espanha consagrou-se campeã ao conseguir 484 medalhas com esta competição. França ficou no segundo lugar com 337 medalhas, seguindo-se Portugal, que fecha o pódio com 302 vinhos selecionados e enquadrados nos melhores do mundo.

Entre os vencedores da medalha de Grande Ouro – que foram apenas 33 – estão oito nacionais: Sandeman – Porto Tawny 30 Years Old, o Casa da Ferreirinha Quinta da Leda, (2014), Herdade de Grous – Reserva Vinho Regional Alentejano (2013), Quinta de Ponte Pedrinha Reserva (2011), Barros Porto (Colheita 1974), Sandeman – Porto 20 Years Old, Casa Ermelinda Freitas (Moscatel de Setúbal, 2007) e Casa Ferreirinha Callabriga (2014).

Clique aqui e descubra os restantes eleitos.

Melhor Sommelier do Mundo vem a Lisboa

andreas-larsson-smo

Entre 28 de fevereiro e 4 de março de 2017, Andreas Larsson, o “Melhor Sommelier do Mundo” (2007, ASI) e o diretor vínico do conceituado restaurante PM & Vänner, em Växjö, na Suécia, vai visitar Portugal para uma prova cega e para avaliar alguns vinhos portugueses na sede da comissão da Vinha e do Vinho, em Lisboa.

Larsson é conhecido pelo seu palato exigente e pela sua paixão pelo vinho. O simpático escanção sueco tem um caráter descontraído, e é um profissional muito requisitado para provas e enquanto orador e educador nos ramos da gastronomia, vinho e outras bebidas.

Os principais objetivos desta iniciativa são aumentar a visibilidade dos vinhos portugueses no mercado, reforçar o posicionamento distinto dos vinhos portugueses entre os consumidores e dar-lhes a oportunidade de provar novos vinhos ou vinhos premium, e ainda aumentar as vendas e a distribuição dos vinhos portugueses.

Os produtores locais estão convidados a inscreverem-se a si e aos seus vinhos, quer para a avaliação e para a feira, ou somente para a avaliação.

 

Vinhos do Alentejo

alentejo-wine

O Alentejo é uma das maiores regiões vitivinícolas de Portugal, onde a vista se perde em extensas planícies que apenas são interrompidas por pequenos montes. Esta região quente e seca beneficiou de inúmeros investimentos no sector vitivinícola que se traduziu na produção de alguns dos melhores vinhos portugueses e consequentemente, no reconhecimento internacional dos vinhos alentejanos.

O Alentejo situa-se no sul de Portugal. É uma zona muito soalheira permitindo a perfeita maturação das uvas e onde as temperaturas são muito elevadas no Verão, tornando-se indispensável regar a vinha.

O tipo de relevo predominante na região é a planície, apesar da região de Portalegre sofrer a influência da serra de São Mamede. As vinhas são plantadas nas encostas íngremes da serra ou em grandes planícies e em solos muito heterogéneos de argila, granito, calcário ou xisto. Apesar disso, a pouca fertilidade dos solos é um elemento comum a todos os solos.

Grande parte dos 22000 hectares de vinha alentejana concentram-se nas oito sub-regiões da Denominação de Origem alentejana: Reguengos, Borba, Redondo, Vidigueira, Évora, Granja-Amareleja, Portalegre e Moura.

Na sub-região de Portalegre as vinhas são plantadas nas encostas graníticas da Serra de São Mamede, sofrendo a influência de um microclima (temperaturas são mais baixas devido à altitude). No centro do Alentejo situam-se as sub-regiões de Borba, Reguengos, Redondo e Évora que produzem vinhos bastantes similares. No sul alentejano (mais quente e seco) localizam-se as sub-regiões de Moura, Vidigueira e Granja-Amareleja.

No Alentejo há inúmeras castas plantadas, contudo umas são mais relevantes que outras (seja pela qualidade ou pela área plantada). As castas brancas mais importantes na região são a Roupeiro, a Antão Vaz e a Arinto. Em relação às castas tintas, salienta-se a importância da casta Trincadeira, Aragonez, Castelão e Alicante Bouschet (uma variedade francesa que se adaptou ao clima alentejano).

Os vinhos brancos DOC alentejanos são geralmente suaves, ligeiramente ácidos e apresentam aromas a frutos tropicais. Os tintos são encorpados, ricos em taninos e com aromas a frutos silvestres e vermelhos.

Além da produção nas sub-regiões DOC, o Alentejo apresenta uma elevada produção e variedade de vinho regional. Os produtores optam, muitas vezes, por esta designação oficial que permite a inclusão de outras castas para além das previstas na legislação de vinhos DOC. Assim, é possível encontrar vinhos regionais produzidos com Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah ou Chardonnay.

Hoje, o Alentejo tem um enorme potencial na produção vitivinícola, todavia a região nem sempre contou com o apoio das políticas agrícolas nacionais. Devido às especificidades do clima, solos pobres e estrutura agrária (grandes propriedades) as principais produções do Alentejo sempre foram os cereais, a oliveira, o carvalho e o gado. Durante as primeiras décadas do século XX, o governo tencionava fazer do Alentejo o “celeiro” de Portugal, por isso a cultura do milho foi amplamente divulgada. O vinho tinha uma importância diminuta e destinava-se essencialmente ao consumo local. A vinificação era realizada segundo os processos tradicionais herdados dos Romanos e a fermentação realizava-se em grandes ânforas de barro.

Nos anos 50, foi criada a primeira adega cooperativa da região com o objectivo de controlar a produção vinícola. No entanto, foi apenas nos anos 80 que o Alentejo se submeteu à grande revolução na produção vitivinícola. Demonstrando uma enorme capacidade de organização, os produtores alentejanos constituíram inúmeras associações, revitalizaram as cooperativas e encorajaram os produtores privados. Assim, o sector vitivinícola ganhou outra relevância, justificando a demarcação oficial da região em 1988.

Fonte:Infovini