Como Servir um Vinho do Porto

Decantar Vinho do Porto

A decantação é um processo simples e agradável. Trata-se de verter o vinho lenta e suavemente num decantador de modo a que o sedimento permaneça na garrafa. Aqui vão uma ou duas dicas de decantação.

É melhor não se preocupar muito com o número exacto de horas de decantação entre a abertura de um vinho do Porto Vintage e o seu consumo. Um bom plano é abrir e decantar a garrafa um pouco antes dos seus convidados chegarem, ou logo após, se não estava à espera da sua visita. Isso deve dar-lhe tempo de sobra para que os aromas (também conhecidos como o “nariz” ou o “bouquet”) abram até ao final da refeição e para que o vinho possa ser apreciado no seu melhor.

Se a garrafa veio diretamente da sua garrafeira, ou onde quer que a tenha armazenado, não há necessidade de deixá-la de pé antes de decantação. No entanto, se suspeitar que o sedimento possa ter sido recentemente agitado, por exemplo, durante um acidentado passeio de carro do comerciante de vinhos para até casa, então o melhor é dar-lhe algum tempo para depositar.

Para evitar que as partículas de sedimento passem da garrafa para o decantador, há quem goste de decantar o vinho através de algum tipo de filtro. Os funis de decantação incorporam um filtro de metal e são úteis para este fim, mas não são essenciais. A peneira de metal servirá igualmente bem. Se tiver à mão um simples pano de algodão muito limpo ou de musselina branca ou lisa, este também será um bom filtro. Qualquer tipo de coador ou filtro usado, deve ser previamente lavado com água quente, nunca lavado com sabão ou detergente. Já os filtros de café de papel não devem ser utilizados porque afectam o sabor do vinho, mesmo se forem cuidadosamente lavados.

Na realidade, nenhum filtro ou coador é necessário se a decantação for realizada com cuidado e delicadeza. Se eventualmente algumas partículas de sedimento passarem para o decantador, isto não será uma grande catástrofe pois estas são completamente inofensivas e acabarão por se depositar no fundo do decantador.

Algumas garrafas antigas de vinho do Porto Vintage têm uma marca de giz branco pintado num dos lados da garrafa. Isto indica que a garrafa foi armazenada com a marca branca para cima e é melhor, embora não seja fundamental, segurar a garrafa na mesma posição quando a estiver a decantar. Se não houver nenhuma marca de giz, segure na garrafa com o rótulo para cima.

Para ser apreciado no seu melhor, o vinho do Porto Vintage deve ser bebido no dia em que a rolha é retirada pela primeira vez, antes que os aromas delicados e complexos, que se desenvolvem nas primeiras horas após a garrafa ser aberta, comecem a desaparecer.
Um decantador de vinho do Porto Vintage maduro a circular à volta da mesa depois de uma boa refeição com os amigos é um dos mais sociáveis e agradáveis prazeres que pode haver.
Como já foi explicado, um vinho do Porto envelhecido em madeira (incluindo o Late Bottled Vintage) não precisa de ser decantado e pode ser vertido diretamente da garrafa para o copo.

Parceiro:Croft Port

Melhor Sommelier do Mundo vem a Lisboa

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Entre 28 de fevereiro e 4 de março de 2017, Andreas Larsson, o “Melhor Sommelier do Mundo” (2007, ASI) e o diretor vínico do conceituado restaurante PM & Vänner, em Växjö, na Suécia, vai visitar Portugal para uma prova cega e para avaliar alguns vinhos portugueses na sede da comissão da Vinha e do Vinho, em Lisboa.

Larsson é conhecido pelo seu palato exigente e pela sua paixão pelo vinho. O simpático escanção sueco tem um caráter descontraído, e é um profissional muito requisitado para provas e enquanto orador e educador nos ramos da gastronomia, vinho e outras bebidas.

Os principais objetivos desta iniciativa são aumentar a visibilidade dos vinhos portugueses no mercado, reforçar o posicionamento distinto dos vinhos portugueses entre os consumidores e dar-lhes a oportunidade de provar novos vinhos ou vinhos premium, e ainda aumentar as vendas e a distribuição dos vinhos portugueses.

Os produtores locais estão convidados a inscreverem-se a si e aos seus vinhos, quer para a avaliação e para a feira, ou somente para a avaliação.

 

Vinhos do Alentejo

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O Alentejo é uma das maiores regiões vitivinícolas de Portugal, onde a vista se perde em extensas planícies que apenas são interrompidas por pequenos montes. Esta região quente e seca beneficiou de inúmeros investimentos no sector vitivinícola que se traduziu na produção de alguns dos melhores vinhos portugueses e consequentemente, no reconhecimento internacional dos vinhos alentejanos.

O Alentejo situa-se no sul de Portugal. É uma zona muito soalheira permitindo a perfeita maturação das uvas e onde as temperaturas são muito elevadas no Verão, tornando-se indispensável regar a vinha.

O tipo de relevo predominante na região é a planície, apesar da região de Portalegre sofrer a influência da serra de São Mamede. As vinhas são plantadas nas encostas íngremes da serra ou em grandes planícies e em solos muito heterogéneos de argila, granito, calcário ou xisto. Apesar disso, a pouca fertilidade dos solos é um elemento comum a todos os solos.

Grande parte dos 22000 hectares de vinha alentejana concentram-se nas oito sub-regiões da Denominação de Origem alentejana: Reguengos, Borba, Redondo, Vidigueira, Évora, Granja-Amareleja, Portalegre e Moura.

Na sub-região de Portalegre as vinhas são plantadas nas encostas graníticas da Serra de São Mamede, sofrendo a influência de um microclima (temperaturas são mais baixas devido à altitude). No centro do Alentejo situam-se as sub-regiões de Borba, Reguengos, Redondo e Évora que produzem vinhos bastantes similares. No sul alentejano (mais quente e seco) localizam-se as sub-regiões de Moura, Vidigueira e Granja-Amareleja.

No Alentejo há inúmeras castas plantadas, contudo umas são mais relevantes que outras (seja pela qualidade ou pela área plantada). As castas brancas mais importantes na região são a Roupeiro, a Antão Vaz e a Arinto. Em relação às castas tintas, salienta-se a importância da casta Trincadeira, Aragonez, Castelão e Alicante Bouschet (uma variedade francesa que se adaptou ao clima alentejano).

Os vinhos brancos DOC alentejanos são geralmente suaves, ligeiramente ácidos e apresentam aromas a frutos tropicais. Os tintos são encorpados, ricos em taninos e com aromas a frutos silvestres e vermelhos.

Além da produção nas sub-regiões DOC, o Alentejo apresenta uma elevada produção e variedade de vinho regional. Os produtores optam, muitas vezes, por esta designação oficial que permite a inclusão de outras castas para além das previstas na legislação de vinhos DOC. Assim, é possível encontrar vinhos regionais produzidos com Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah ou Chardonnay.

Hoje, o Alentejo tem um enorme potencial na produção vitivinícola, todavia a região nem sempre contou com o apoio das políticas agrícolas nacionais. Devido às especificidades do clima, solos pobres e estrutura agrária (grandes propriedades) as principais produções do Alentejo sempre foram os cereais, a oliveira, o carvalho e o gado. Durante as primeiras décadas do século XX, o governo tencionava fazer do Alentejo o “celeiro” de Portugal, por isso a cultura do milho foi amplamente divulgada. O vinho tinha uma importância diminuta e destinava-se essencialmente ao consumo local. A vinificação era realizada segundo os processos tradicionais herdados dos Romanos e a fermentação realizava-se em grandes ânforas de barro.

Nos anos 50, foi criada a primeira adega cooperativa da região com o objectivo de controlar a produção vinícola. No entanto, foi apenas nos anos 80 que o Alentejo se submeteu à grande revolução na produção vitivinícola. Demonstrando uma enorme capacidade de organização, os produtores alentejanos constituíram inúmeras associações, revitalizaram as cooperativas e encorajaram os produtores privados. Assim, o sector vitivinícola ganhou outra relevância, justificando a demarcação oficial da região em 1988.

Fonte:Infovini