Melhor vinho tinto de lote do mundo é alentejano

Vinho Blog

Sabe de onde vem o melhor vinho tinto de lote do mundo?

Este vinho alentejano convenceu os mais de 200 especialistas do setor que compunham o júri.

Pela primeira vez, um vinho de mesa português conquistou a mais alta distinção atribuída pelos Decanter World Wine Awards, a maior e mais importante competição do setor a nível mundial. O vencedor do título de “Best in Show – Best Red Blend” (melhor no concurso na categoria de vinhos tintos de lote/blend) foi o alentejano BLOG by TIAGO CABAÇO bivarietal ’13, que convenceu os mais de 200 especialistas do setor que compunham o júri.

A prova passou por três fases. Na primeira, foram provadas cerca de 17.200 referências, às quais foram atribuídas medalhas de bronze, prata ou ouro. Seguiu-se nova prova, apenas com os vinhos medalhados com ouro, para atribuir as medalhas de platina. Por fim, foi destacado o melhor entre os melhores em cada categoria, acrescentando à medalha de platina o título de melhor no concurso. A categoria “Best Red Blend”, ou seja, melhor vinho tinto de lote, é a mais disputada em todo o concurso, o que faz com que Tiago Cabaço, produtor que empresta o nome ao vinho, afirme ser “com imenso orgulho que recebemos esta distinção. Por um lado, porque é o reconhecimento do nosso trabalho e da nossa devoção à região. Por outro, porque este prémio eleva não só os nossos vinhos, mas também o nome do Alentejo e de Portugal enquanto produtor de vinhos de elevada qualidade. Estou convicto de que será um prémio muito importante para o setor.”

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O BLOG by TIAGO CABAÇO bivarietal ’13 é um vinho de terroir produzido à base de Alicante Bouschet e Syrah, duas castas emblemáticas da região. Um vinho feito na vinha, a partir das uvas das melhores parcelas, cuja produção é limitada pela própria natureza. Após a colheita, repousa durante quinze meses em barricas de carvalho francês, para conseguir maior estrutura. Com notas de frescura e fruta, este vinho reclama o estatuto de topo de gama do produtor, com pouco mais de nove mil garrafas produzidas.

Vinhos do Alentejo

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O Alentejo é uma das maiores regiões vitivinícolas de Portugal, onde a vista se perde em extensas planícies que apenas são interrompidas por pequenos montes. Esta região quente e seca beneficiou de inúmeros investimentos no sector vitivinícola que se traduziu na produção de alguns dos melhores vinhos portugueses e consequentemente, no reconhecimento internacional dos vinhos alentejanos.

O Alentejo situa-se no sul de Portugal. É uma zona muito soalheira permitindo a perfeita maturação das uvas e onde as temperaturas são muito elevadas no Verão, tornando-se indispensável regar a vinha.

O tipo de relevo predominante na região é a planície, apesar da região de Portalegre sofrer a influência da serra de São Mamede. As vinhas são plantadas nas encostas íngremes da serra ou em grandes planícies e em solos muito heterogéneos de argila, granito, calcário ou xisto. Apesar disso, a pouca fertilidade dos solos é um elemento comum a todos os solos.

Grande parte dos 22000 hectares de vinha alentejana concentram-se nas oito sub-regiões da Denominação de Origem alentejana: Reguengos, Borba, Redondo, Vidigueira, Évora, Granja-Amareleja, Portalegre e Moura.

Na sub-região de Portalegre as vinhas são plantadas nas encostas graníticas da Serra de São Mamede, sofrendo a influência de um microclima (temperaturas são mais baixas devido à altitude). No centro do Alentejo situam-se as sub-regiões de Borba, Reguengos, Redondo e Évora que produzem vinhos bastantes similares. No sul alentejano (mais quente e seco) localizam-se as sub-regiões de Moura, Vidigueira e Granja-Amareleja.

No Alentejo há inúmeras castas plantadas, contudo umas são mais relevantes que outras (seja pela qualidade ou pela área plantada). As castas brancas mais importantes na região são a Roupeiro, a Antão Vaz e a Arinto. Em relação às castas tintas, salienta-se a importância da casta Trincadeira, Aragonez, Castelão e Alicante Bouschet (uma variedade francesa que se adaptou ao clima alentejano).

Os vinhos brancos DOC alentejanos são geralmente suaves, ligeiramente ácidos e apresentam aromas a frutos tropicais. Os tintos são encorpados, ricos em taninos e com aromas a frutos silvestres e vermelhos.

Além da produção nas sub-regiões DOC, o Alentejo apresenta uma elevada produção e variedade de vinho regional. Os produtores optam, muitas vezes, por esta designação oficial que permite a inclusão de outras castas para além das previstas na legislação de vinhos DOC. Assim, é possível encontrar vinhos regionais produzidos com Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah ou Chardonnay.

Hoje, o Alentejo tem um enorme potencial na produção vitivinícola, todavia a região nem sempre contou com o apoio das políticas agrícolas nacionais. Devido às especificidades do clima, solos pobres e estrutura agrária (grandes propriedades) as principais produções do Alentejo sempre foram os cereais, a oliveira, o carvalho e o gado. Durante as primeiras décadas do século XX, o governo tencionava fazer do Alentejo o “celeiro” de Portugal, por isso a cultura do milho foi amplamente divulgada. O vinho tinha uma importância diminuta e destinava-se essencialmente ao consumo local. A vinificação era realizada segundo os processos tradicionais herdados dos Romanos e a fermentação realizava-se em grandes ânforas de barro.

Nos anos 50, foi criada a primeira adega cooperativa da região com o objectivo de controlar a produção vinícola. No entanto, foi apenas nos anos 80 que o Alentejo se submeteu à grande revolução na produção vitivinícola. Demonstrando uma enorme capacidade de organização, os produtores alentejanos constituíram inúmeras associações, revitalizaram as cooperativas e encorajaram os produtores privados. Assim, o sector vitivinícola ganhou outra relevância, justificando a demarcação oficial da região em 1988.

Fonte:Infovini

Branco da Talha by António Maçanita 2013

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Um branco, no mínimo, desafiante.

Feito de Roupeiro e Antão Vaz, este branco alentejano tem, desde logo, uma grande virtude: é diferente do que se bebe por aí.

Notas de prova: Distinto, mineral, complexo e fresco. Assenta primeiro na fruta e frescura das castas, com uma segunda dimensão dominada pelas notas terrosas, quase químicas da talha. Na boca alguma textura, sempre suportado em tensão e acidez.

Serviço e Gastronomia: Servir a 10ºC. Fresco, a sua acidez, notas terrosas permitem harmonizar muito bem com pratos que contenham cogumelos, beterraba ou trufas.

Álcool: 12,5%Vol.

Denominação: Vinho Regional Alentejano

Viticultura: Mistura de vinhas com 25-30 anos das castas locais Roupeiro e Antão Vaz. Agricultura sustentável em que apenas o redimento é controlado e a qualidade é melhorada com a remoção de ramos secundários e poda de cachos.

Vinificação: A vindima é manual em caixas de 20Kg. As caixas foram colocadas directamente na prensa sem esmagamento. O mosto depois de decantado foi colocado numa talha de 1000 Litros com a data inscrita de 1946. A fermentação ocorreu então, numa câmara de frio a 14ºC durante cerca de 28 dias. O vinho foi decantado estabilizado com bentonite e estabilizado por frio.

Notas de prova do produtor: Fita Preta